
GitLost: a falha do GitHub que expõe empresas sem uso de malware
Comparada ao clássico SQL Injection, a falha revela um problema estrutural nas novas automações com modelos de linguagem; senhas podem ser adquiridas com um simples comando de texto.
schedule 09/07/2026, às 10:00
update Atualizado em 09/07/2026, às 19:27
Uma falha de segurança em um sistema de inteligência artificial do GitHub permite roubar códigos, senhas e informações corporativas de maneira fácil. A descoberta foi feita pela agência de segurança Noma Security, que apelidou a brecha de GitLost . A companhia já foi avisada e diz ter atualizado a documentação de sua tecnologia.
Para entender essa falha, é preciso de um pouco de contexto. O GitHub possui uma tecnologia chamada Agentic Workflows, que basicamente combina automação de tarefas da plataforma com assistentes de IA, como o Copilot. A ideia dessa tecnologia é facilitar a vida de desenvolvedores ao gerenciar seus projetos com uma linguagem natural.
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O problema é que havia uma falha no meio do caminho. Os pesquisadores entenderam que essa ferramenta possui permissões amplas demais em seu sistema . Isso significa que se um usuário escrever um comando com algumas palavras específicas, esse Workflow vai abrir as portas para um grande vazamento de informações.
A razão pela qual o GitLost é perigoso é que essa brecha não exige conhecimento técnico por parte do atacante . Basta escrever bem em inglês que a IA vai aceitar o comando. Esse tipo de ataque também funciona de maneira silenciosa, sem que nenhum alarme seja disparado. No fim, códigos importantes e dados de empresas podem vazar.
Como a brecha funciona?
A brecha do GitLost é explorada por meio de uma técnica chamada injeção de prompt , que basicamente é criar um comando com instruções nocivas em um texto comum. É como se alguém escrevesse uma carta para um parente distante, mas o conteúdo nas entrelinhas tem um significado diferente e é, na verdade, uma sequência de instruções para uma missão secreta - típico do cinema hollywoodiano.
Na prática, o invasor cria um chamado público, parecendo ser uma dúvida inofensiva de um cliente ou funcionário. No entanto, o texto contém comandos ocultos dizendo para a IA ignorar suas regras originais , acessar os repositórios privados da empresa e copiar informações sigilosas.
A facilidade com isso acontece é que impressiona. Os pesquisadores da Noma perceberam que as barreiras de proteção criadas pelo GitHub foram facilmente derrubadas. Inclusive, descobriram que adicionar a palavra Additionally (Adicionalmente) ao comando faz com que o sistema se confunda e entregue dados privados facilmente.
Um dos especialistas da Noma, Sasi Levi, compara esse tipo de ataque com o famoso SQL Injection , que segue a mesma premissa e foi um pesadelo na década passada. Falhas assim demonstram que há um problema estrutural nessas tecnologias . Qualquer pessoa mal-intencionada pode explorar essa vulnerabilidade sem criar softwares maliciosos.
A Noma diz ter contatado o GitHub para explicar sobre a falha, mas não recebeu retorno sobre se a brecha foi corrigida. Em contrapartida, o GitHub indicou à companhia que atualizou a documentação que criou essa vulnerabilidade.
Como se proteger?
Como essa falha não atinge um usuário em especial, a recomendação da Noma é voltada para empresas. A recomendação é que as IAs tenham restrições e acesso somente à pasta em que estão trabalhando . Permissões globais permitem essas IAs navegarem por múltiplos repositórios e podem resultar em vazamentos de dados.
Alterações nas automações desses modelos de linguagem também são importantes para garantir que as IAs nunca tratem o texto escrito por usuários comuns como instruções de sistema.
Inclusive, outro tipo de ataque invisível tem sido utilizado para enganar professores universitários e roubar dados acadêmicos em uma grande campanha nos EUA e Canadá. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
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